WEB3 · PRODUCT DESIGN B2B
Instituições Web3 dependem de Market Makers para manter liquidity e eficiência de mercado. Mesmo assim, entender se eles estão entregando o que foi contratado ainda exige muito trabalho manual.
Ferramentas como Dune e DeFiLlama são caras, deixam os dados espalhados e nem sempre indexam exatamente o que cada cliente institucional precisa.
Quando há dinheiro em risco, inclusive na decisão de aplicar uma penalidade contratual a um Market Maker, não dá para depender de dados incompletos.
Dois públicos usam os mesmos dados para objetivos diferentes: fundos institucionais, protocolos DeFi e exchanges precisam decidir rápido, mesmo sem domínio técnico; já os Market Makers precisam provar que cumpriram o SLA.
Quando um Market Maker sai dos limites do contrato, alguém precisa decidir, com dados confiáveis, se cabe uma penalidade.
Uma decisão errada custa dinheiro para os dois lados.
A equipe já conhecia o problema por dentro. O Product Manager tinha anos de experiência como analista de dados, com contato direto com a dor que queríamos resolver.
O CEO também lidava com esse problema antes do projeto. Cruzamos esse conhecimento com referências como Dune, DeFiLlama, Bloomberg Terminal, Grafana e Datadog para entender como cada produto organiza dados financeiros densos.
O padrão era claro: ferramentas caras, dados fragmentados e pouca flexibilidade para indexar o que cada cliente precisava. A oportunidade era reunir tudo em uma única plataforma, com preço justo e contratos personalizados. Cada liquidity pool era configurado e indexado de acordo com o contrato, com clareza suficiente para reduzir perdas e evitar penalidades aplicadas com base em uma leitura errada.
Quatro decisões de UX definiram o produto, cada uma comparada a uma alternativa. Todas respondiam ao mesmo objetivo: reduzir drasticamente o tempo entre consultar um dado e decidir se cabia uma penalidade.
“98,7%” não responde ao que importa: o contrato foi cumprido ou não? A UI mostra o SLA como cumprido ou não cumprido.
Uma liquidity pool de US$ 200 mil pode ter caído 60% na última semana. Mostrar só o valor atual esconde o principal. Por isso, tendência e direção vêm primeiro.
Quem monitora várias liquidity pools com contratos diferentes precisa se orientar sem sair do dashboard. A barra lateral reúne dados do contrato, contexto da pool e referências; os filtros recortam por pool, período e status do SLA.
As informações foram organizadas em quatro camadas: status do SLA, comportamento da liquidity, comparação de mercado e metodologia. Os detalhes aparecem sob demanda, sem tirar o usuário do contexto.
Alertas automáticos avisam quando um dado passa do limite esperado e reduzem o monitoramento manual. Para entregar um produto dessa complexidade no prazo, usamos fluxos de trabalho assistidos por IA. Isso acelerou a execução e abriu espaço para testar mais variações de layout sem reconstruir cada opção do zero.
Testamos com 4 operadores em várias rodadas ao longo do projeto, não em uma sessão isolada. Também fizemos testes A/B rápidos e enxutos para comparar alternativas sem comprometer o cronograma.
O principal atrito da v1 era direto: “métricas demais ao mesmo tempo”. Reduzimos o dashboard principal de 12 métricas para 4 essenciais e deixamos as demais nos níveis de detalhe.
Depois do lançamento, a validação mais forte veio do uso real pelos dois principais clientes B2B, Worldchain e Kraken. O projeto levou cerca de 6 meses do início ao handoff.
Conclusão de tarefas · 4 operadores, várias rodadas
Tempo para verificar um dado · relatado pelos clientes
Componentes · handoff para desenvolvimento ~35% mais rápido
Nas rodadas com os 4 operadores, a conclusão de tarefas passou de 61% para 88%. É um sinal direcional, não um teste estatístico com amostra grande, mas o avanço se repetiu ao longo das rodadas.
Hoje, a plataforma responde: “este Market Maker está dentro do contrato agora?” O próximo passo é responder: “ele continuará dentro do contrato amanhã?”
As prioridades são alertas preditivos antes que os limites sejam ultrapassados e comparação neutra de até três Market Makers na mesma visualização, sem reintroduzir o viés de ranking que removemos.
Em produtos institucionais, menos pode ser uma decisão estratégica. Simplificar a UI sem simplificar a arquitetura da informação só transfere a confusão para outra tela. Cada métrica removida do dashboard precisava justificar por que voltaria nos detalhes.