WEB3 · PREDICTION MARKETS

Transformando curiosidade por previsões em participação

CLIENTEHedgehog
MEU PAPELDesigner de Produto
DURAÇÃO8 meses
ProblemaPrediction markets exigem conhecimento de orderbooks antes mesmo da primeira aposta. O interesse desaparece nos primeiros 30 segundos.
AbordagemRodadas coletivas de UP/DOWN, ciclos de cinco minutos e dados públicos de participação, projetados para desktop e mobile desde o primeiro dia.
Resultado100% dos usuários do beta entenderam a mecânica até a segunda rodada. Primeira ação em menos de 2–4 segundos.

A demanda existe. O modelo de participação, não.

Polymarket, Augur e uma onda de protocolos DeFi já provaram que existe interesse em prever resultados on-chain. O que nunca ganhou escala foi quem conseguia participar.

As plataformas existentes obrigam o usuário a entender orderbooks, liquidez e mecânicas de trading antes mesmo da primeira previsão. O interesse existe. É a barreira técnica que impede esse interesse de virar ação.

Dois públicos. Necessidades opostas. Um produto.

Não bastava simplificar a UI. O problema estava no modelo de participação: atender apenas um público significava perder o outro.

O iniciante curioso já ouviu falar de prediction markets, mas nunca participou. Se a orientação leva mais de 30 segundos, ele desiste. Já o usuário experiente de DeFi quer ciclos rápidos de engajamento, não gestão de posições no longo prazo, e sai quando o produto parece superficial.

Projetar apenas para traders mantém a categoria pequena. Projetar apenas para iniciantes afasta os usuários avançados que geram volume. O produto precisava atender aos dois.

Claro Escuro

Analisar a categoria antes de abrir o Figma

Fiz um benchmark de seis plataformas, Polymarket, Augur, Drift Protocol, Binance Predictions, Azuro e Limitless, cruzando padrões de interface com a fricção percebida.

Cinco insights definiram a direção. Evitar orderbooks não foi uma mudança tardia; essa decisão já estava clara antes de qualquer protótipo.

  • Usuários travam diante de orderbooks não por falta de capacidade, mas porque esse sistema foi criado para profissionais do mercado financeiro.
  • Quanto mais dados aparecem no momento da decisão, maiores são a hesitação e o abandono.
  • Ciclos de feedback fracos fazem com que os usuários não entendam o que aconteceu após a própria previsão.
  • Dados de participação são um sinal para a decisão. Esconder o que os outros estão fazendo ignora o comportamento real.
  • Ciclos curtos criam hábito. Ciclos longos vinculados a eventos externos, não.

Os orderbooks eram a maior barreira de entrada da categoria. Escolhemos outro caminho desde o início, não depois de testar e descartar a opção óbvia.

Cinco decisões que mudaram o modelo de participação

A plataforma foi projetada para desktop e mobile desde o início, com todos os estados criados e testados nos dois breakpoints.

01

Posições coletivas, não um orderbook

Os usuários depositam em um pool compartilhado e escolhem um lado: UP ou DOWN. A decisão é binária, não uma operação de trading. Não há contrapartes nem necessidade de entender liquidez.

02

Rodadas com tempo definido, não um mercado contínuo

3 minutos de preparação para escolher valor e direção. Depois, a sala é bloqueada e não aceita novas entradas. A resolução de 2 minutos mostra a contagem regressiva até o resultado. O ciclo total de ~5 minutos é curto o bastante para criar hábito e bem delimitado para reduzir a ansiedade.

03

Dados de participação como interface, não como backend

A distribuição do pool é pública desde o primeiro dia, em uma tabela que mostra a aposta de cada participante. Para iniciantes, funciona como prova social. Para usuários experientes, como sinal contrário. Nos dois casos, a decisão continua dentro do produto.

04

Uma ação dominante

UP ou DOWN é o elemento visual mais forte da tela. Valor e confirmação são deliberadamente secundários; a interface responde a uma única pergunta no momento decisivo.

05

Resolução como ciclo, não como fim

O resultado, vitória ou derrota, aparece em um modal no fim da rodada. Depois de confirmá-lo, o usuário continua na mesma tela, pronto para a próxima rodada, sem precisar navegar. O pico emocional leva direto à próxima ação.

Iteração após o beta: o chat ao vivo não fazia parte do lançamento original. Durante o teste fechado, alguns usuários ainda hesitavam ao escolher um lado, mesmo depois de entender a mecânica. Liberamos o chat para todos com uma previsão ativa na rodada, dando mais contexto à decisão.

Beta em produção, não um teste A/B de fachada

Não houve comparação de versões em laboratório. A validação aconteceu em produção, com pessoas que já queriam usar o produto.

O beta fechado durou 5 dias: 5 grupos de 20 usuários, 100 no total, todos vindos da waitlist do produto. Era um público com intenção real, não uma amostra aleatória.

Mais da metade já entendia o propósito do produto antes de entrar, graças ao conteúdo educativo da landing page. Somado a um fluxo autoexplicativo, isso fez com que 100% dos participantes entendessem a mecânica até a segunda rodada. Os resultados individuais de vitória ou derrota variaram normalmente; esse nunca foi o critério de sucesso.

Fundadores e stakeholders que acompanharam o beta chegaram à mesma conclusão dos usuários: intuitivo, claro e cumpre o que promete.

Resultados mensurados e impacto na entrega

102–4s

Tempo até a primeira ação

100%

Entenderam a mecânica até a segunda rodada

37.5%

Conversão da waitlist · zero mídia paga

100% dos usuários do beta entenderam a mecânica até a segunda rodada. O tempo até a primeira ação caiu de ~10 segundos para menos de 2–4 segundos no desktop e no mobile.

  • Design system: mais de 120 componentes reduziram o tempo de handoff em ~35%
  • Funil da waitlist: o mesmo público que validou o interesse na landing page validou o produto no beta
  • Alinhamento qualitativo: usuários e equipe interna concordaram: intuitivo, claro e fiel ao propósito

Onde os usuários ainda hesitam

Hoje, o momento mais crítico é a janela de preparação de 3 minutos, quando o usuário decide sozinho o valor e a direção, sem orientação em tempo real, antes do bloqueio da sala.

É nesse ponto que os iniciantes têm maior chance de se perder. A principal prioridade é oferecer suporte guiado na criação da sala, antes do bloqueio, não depois, aproveitando o que o chat ao vivo ensinou no beta.

Quando os usuários estão confusos, corrija o modelo mental antes da UI. Não superamos o orderbook refinando a interface. Trocamos o modelo e desenhamos o ciclo em torno dele.